Entre as centenas de frases feitas no futebol, uma diz que em time que está vencendo não se mexe. Não concordo com a ideia, por achar que sempre se pode melhorar, acertando melhor as linhas, passando de vitórias simples para goleadas.
A ideia não se resume apenas às atuações no campo de jogo, mas em toda a sua organização. Do mais simples cuidado com o material de treino dos jogadores, cuidados médicos, preparação física, concentração e, claro, os esquemas táticos.
Ao conversarem com a imprensa nessa rápida passagem por Curitiba, o preparador físico da Seleção Brasileira, Paulo Paixão, e o médico José Luiz Runco afirmaram que os seus setores repetiriam os mesmos planos colocados em prática nas Copas de 2002 e 2006.
O fato de o time em 2006 não ter repetido no campo o mesmo desempenho do de 2002, quando conquistou o penta, nada tem a ver com a preparação física e os cuidados médicos, afirmaram Paixão e Runco. Daí estarem usando o mesmo planejamento para o Mundial da África do Sul.
Diferente, no plano médico, pode-se dizer, apenas o estágio no outono de Curitiba, úmido, frio e chuvoso, praticamente igual ao que a Seleção encontrará em Johannesburgo. O preparo físico continuará separando os jogadores de acordo com o estado em que estão agora, revelado pela ficha que cada um tem desde que foram relacionados pela primeira vez.
Se tudo sairá direitinho, assim como a preparação técnica e a colocação em prática do esquema tático, que só entrará em pauta nos treinos da semana que vem, já na África - para onde a delegação embarca hoje -, e nos amistosos contra a Tanzânia e Zimbábue, arranjados à última hora, só quando a bola começar a rolar para valer, no dia 15 de junho, na estreia contra a Coreia do Norte.
Ou já nas oitavas, como planejaram Paixão, Runco e Dunga. Os três primeiros jogos, pelo visto considerados favas contadas, serão, acreditam, para que Kaká, Luís Fabiano e companheiros cheguem perto dos 100%. Mas, a maior mudança, prometida e esperada, com relação à preparação em Weggis, na Suíça, para o Mundial de 2006, deixou a desejar na fase de Curitiba. As informações foram desencontradas e decisões tomadas de última hora provocaram confusão.
Depois de confinar a imprensa, no frio e sob a chuva fina, longe de onde estavam os jogadores, e de não planejar, abertamente, a presença dos torcedores, a comissão técnica, diante de vaias de um grupo de garotos de cima de um muro, achou por bem abrir os portões por alguns instantes na segunda, para novamente fechá-los na terça, quando um grupo maior de pessoas foi ao CT Caju.
A pequena multidão, embora pacífica, formada por jovens estudantes e famílias inteiras, assustou o comando do policiamento – segundo informação da assessoria de imprensa – que proibiu a entrada dos torcedores no CT.
Diante da confusão formada e da ameaça de novas vaias, Kaká comandou, por conta própria, um grupo de jogadores para abraçar parte dos torcedores.
Que o fantasma de Weggis desapareça em Johannesburgo, e lá não voltem a bater cabeça.

