Copa 2010

mai
28

A bola é horrível

Publicado às 14:42 30 comentários
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Reinaldo Marques

Reinaldo Marques

José Maria de Aquino
Direto de Johannesburgo

“Desgraçado é o goleiro, que onde pisa nem a grama nasce”, dizia Don Josse Cavaca, humorista de primeira linha, nos tempos da bola de capotão. Dizia, porque hoje ninguém mais pode dizer isso. Os gramados dos grandes estádios são quase perfeitos.

Sumiram os buracos, os montinhos artilheiros, mas continuam no jogo outros inimigos dos goleiros. Entre eles a presença de adversários na barreira, no momento da cobrança de faltas, e a bola, cada vez mais sofisticada.

Isso mesmo, a bola. Não porque faça parte do jogo, mas porque, deixando de ser pesada, de capotão, passou a ser leve e traiçoeira, variando sua trajetória a cada chute, ao sabor do vento.

A que será usada nesta Copa é horrível. A denúncia não é minha, mas de ninguém menos que Júlio César, goleiro da Seleção Brasileira, considerado o melhor do mundo, sério candidato a ser aclamado o melhor do Mundial.

Corajoso como nas defesas que o destacam, Júlio César não deixou por menos, quando perguntaram a ele sobre a bola. Disse, e repetiu muitas vezes, que ela é horrível.

“Parece bola de supermercado”, garantiu.

Tudo que sua fabricante odiaria ouvir e ler. Ainda bem que não é a mesma que fornece todo material esportivo para a Seleção. E não fosse uma declaração feita por quem merece todo crédito, se poderia até pensar em resposta estudada.

Além de sincero, tranquilo e educado, Júlio César parece ser o titular absoluto do gol, na sincera opinião dos que com ele deveriam concorrer à titularidade do time de Dunga – Doni e Gomes.

Doni e Gomes, ou Gomes e Doni? Imaginando-se qual deles será escolhido para o banco de reservas. Nem eles sabem, nem Dunga disse a alguém até agora. Gomes disputou excelente campeonato pelo Tottenham, na Liga Inglesa. E Doni participou de poucas partidas pelo Roma, no campeonato italiano.

Os dois disseram reconhecer em Júlio César o titular absoluto da posição e irão torcer para que ele dispute uma excelente Copa. Sabendo, de resto, ser muito difícil um goleiro da qualidade de Júlio César ser substituído, a não ser por séria contusão, algo raro em torneios de tão poucos jogos.

Algo, cá entre nós, difícil de ocorrer nas disputas pelas outras posições, por mais que o atleta que chega como reserva afirme “estar à disposição do técnico e saber esperar por sua vez”.

Que Júlio César não se deixe trair pelos efeitos que ganha a bola, vistos por ele como defeitos.