Dinheiro não é problema para uma empresa cercada de milionários patrocinadores por todos os lados, como a CBF. São tantos que seus uniformes para treinamentos ficaram poluídos.
Com seus cofres abarrotados, não seria por mais R$ 4 milhões que ela deslocaria seu rico patrimônio, formado por importantes jogadores, para dois jogos em Zimbábue e na Tanzânia, correndo riscos de naturais, mas desagradáveis, contusões.
Não seria. Mas, como mundo dos negócios – o futebol é cada vez mais o que chamam de “business” – dinheiro nunca é demais. Não há motivos para duvidar que os dois amistosos foram programados também, e, principalmente, para encher ainda mais os cofres da empresa.
A grana alta poderá servir para pagar os prêmios pela eventual e desejada conquista do hexa. Para onze jogadores, sendo certa a informação, não oficial, de que cada um receberá R$ 350 mil. Ou pelo menos garantirá os prêmios de dois deles, se o valor a ser pago for de R$1 milhão, conforme informação, também não oficial, de uma segunda fonte.
Melhor teria sido a CBF comunicar oficialmente o prêmio a ser pago aos jogadores, como fez, por exemplo, a Federação Alemã, que desembolsará 50 mil euros para cada um dos seus, se a seleção chegar às quartas de final, pulando para 200 mil (cerca de R$ 460 mil) caso conquistem o título.
É certo que nos amistosos algum jogador poderá se contundir seriamente, mesmo com o técnico Dunga, que sobre a premiação limitou-se a dizer que o “combinado não é caro”, pedindo para que tomem cuidado e evitem as divididas contra adversários de menor qualidade técnica.
Mas se nos treinos quase recreativos, como o da sexta-feira, Robinho acabou atingindo Kaká, que não gostou e não aceitou, no momento, suas desculpas, e se na estada em Curitiba, Luís Fabiano sofreu uma pequena torção de tornozelo quando corria em volta do gramado, por que achar que a bruxa não poderá estar solta em Zimbábue e na Tanzânia?
São os prós e contras. Saindo da parte financeira da empresa, para ficar apenas na esportiva, o técnico Dunga, que não gostou da marcação dos dois jogos, poderá usá-los para ver em partidas contra adversários o que ensaiou na manhã de sexta-feira – jogadas rápidas em contra-ataques, com tabelas longas pelas laterais e bolas cruzadas para a área. Além do posicionamento dos zagueiros.
As bolas esticadas chegaram fácil e rapidamente ao destino programado, porque não havia marcação sobre os que atacavam. Mas foi ruim o aproveitamento nas conclusões para gol – tanto pelo alto quanto por baixo. Talvez, e eu concordo, porque este não era o objetivo principal das manobras.
Resta saber se Dunga aproveitará os dois “caça milhões” para movimentar todos os jogadores e se testará o plano B, que precisa existir, caso Kaká não enfrente, por problemas ou precaução, os três primeiros adversários na Copa, hipótese que não deve ser desprezada.
Se o fizer, e eu confio que sim, os prós não se resumirão à bolada a ser recebida. E os contra, traduzidos no cansaço pela viagem e no risco de contusões, serão em parte compensados.

