José Maria de Aquino
Direto de Johannesburgo
Ao comentar no post anterior sobre os prováveis adversários do Brasil na briga pelo título, citei Espanha, Inglaterra, Itália e Holanda, não me referindo à Argentina.
E de pronto fui cobrado pela amiga Ana – é assim que gosto de tratar a todos que deixam aqui sua opinião, suave ou azeda, não faz diferença.
Disse Ana: “esqueceu a Argentina de Maradona e Messi, Zé?”
Juro, Ana, que não sei se foi esquecimento ou censura imposta por meu subconsciente. Acho mais que foi a danada da censura.
Embora goste do jeito milongueiro de ser do Maradona, bem mais light e divertido do que o do nosso carrancudo Dunga.
E veja Messi como um grande craque, um fenômeno, posso assim dizer, nos dias de agora, do futebol da força, dos aparelhos, das vitaminas que estufam os jogadores, tirando-lhe a mobilidade, a graça e transformando-os em futuros robôs.
Mas, será que o jovem Messi, Verón e Mascherano serão o bastante para compensar, no campo, as “loucuras” do técnico Maradona? Tenho cá minhas dúvidas.
Nada contra os “hermanos” e seu futebol clássico. Mesmo porque, três netinhos lindos nos seus cinco – um casal de gêmeos – e três anos, estão, nesse momento, trocando Miami por Buenos Aires, uma grande metrópole.
É só mesmo, e você há de me perdoar, Ana, se estiver errado, por aquela sensação de que a Argentina está longe da Inglaterra, mesmo com seus desfalques importantes, Alemanha, Itália, e, naturalmente, do Brasil. Tradição, mesmo não sendo o definitivo, vale muito nessa competição que começa em quatro dias.
Você poderá dizer que tendo conquistado dois títulos, os argentinos devem ser incluídos no pequeno grupo dos que fizeram história nos mundiais e têm tradição.
Pode ser, mas prefiro colocar na sua vaga, nesse momento, a Holanda, duas vezes vice, em duas grandes injustiças. E a Espanha, até agora saco de pancadas em Copas. As campanhas das três seleções nas Eliminatórias me ajudam nesse raciocínio.
Palpite? Não. Pela obrigação de, como na vida, dar chance aos novos que revelam saber, o que não significa sair da frente, dar passagem grátis, oferecer a cadeira. Vale dizer, isso sim, colocá-las na disputa, nos termos do velho ditado “que vença o melhor”.
Se não fosse brasileiro, torcedor fiel da amarelinha, sem, porém, entrar no bloco dos pachecões, colocaria o Brasil entre os últimos dos escolhidos. Porque, como você sabe, “são muitos os chamados, mas pouco os escolhidos”.
Da lista das 32 seleções, 24 são sempre meras coadjuvantes. Só oito podem levantar a taça de ouro. Numa ordem que tem Inglaterra, Brasil, Itália, Alemanha e a seguir, Holanda, Espanha, Argentina e França.
Não há Pai de Santo, Pajé ou mãe Diná com poder para tirar o título dessa relação, o que acredito, poderá acontecer em mais três mundiais, com um time africano dando a volta olímpica.
Posso errar feio e cantar um tango argentino, sem, nem de longe, seguir Maradona na corrida, pelado, em torno do obelisco na 9 de julho de Buenos Aires, como ele, ao seu estilo, vem prometendo caso ganhe a Copa.
Só não quero ficar em cima do muro, como fizeram dois grandes técnicos, com os quais trabalhei em um Mundial – eu como chefe de reportagem de uma emissora de televisão e eles como comentaristas.
Pedi para que gravassem comentários dizendo quais eram, para eles, as seleções favoritas ao título – ainda eram 24. E solicitei para que parassem a gravação, quando os dois se aproximavam de dez indicações.
Achei que eram muitas as opções e ouvi deles não ser possível citar apenas três ou quatro, porque não podiam correr o risco de errar. Tinham um nome a zelar.
Eu também tenho um nome a zelar, mas não tenho medo, Ana.

