José Maria de Aquino
Direto da Cidade do Cabo
Minha torcida, a força da sua animada gente que foi ao estádio acreditando num milagre, aceitando o convite estampados nos jornais e nos intervalos dos programas da televisão, infelizmente não foram o suficientes para levá-la às oitavas.
Uma pena, Bafana, não porque você é a primeira anfitriã que não passa da fase de grupos. Isso conta, mas não é tudo. Nem o mais importante.
Uma pena porque, não sendo o futebol o esporte mais popular e apreciado nessa terra de vento frio e gente de coração quente, sorriso permanente, olhos curiosos seguindo as maluquices dos invasores que acompanham a bola onde quer que ela vá, nos grandes torneios, corre-se o risco de não regarem bem a semente aqui plantada, perdendo-se a chance da redonda jogada com os pés não passar a dividir os espaços com a jogada com as mãos. Pelo menos isso.
Uma pena que os estádios construídos com muito esforço e muito dinheiro, talvez mais do que o necessário, porque, infelizmente, é assim na esmagadora maioria dos países que promovem grandes festas com Mundiais e Olimpíadas, corram mo risco de se transformarem em elefantes brancos, ou serem usados para outros esportes que não o futebol de bom nível, que tanto apaixonou seus torcedores apaixonantes nesses dias de invasão e alegria.
Passar para as oitavas, pelo menos, não garantiria destino diferente dessa minha análise pessimista, mas na certa que ajudaria.
E, como a conclusão é pessimista, torço muito, mais até do que torci por vocês, Bafanas, Bafanas, nas suas três partidas, que acompanhei com os olhos abertos, quase torcendo por erros de arbitragem a seu favor, como ocorreram em outros Mundiais, para dar aquele empurrãozinho, torço, repito, para que esteja completamente enganado.
Lembram-se, por exemplo, da força dada ao Japão e, principalmente, à Coreia do Sul em 2002, para não ir mais longe? Pois é…
Nem isso ocorreu, o que, no fundo, foi e é bom. Talvez deixasse a ilusão de que você, Bafana, estava bem preparada, o que não era verdade. O empate no jogo de abertura já foi uma pequena ilusão. O México, velho participante desses festivais, esteve melhor e poderia ter vencido.
Seu grande pecado, porém, foi deixar-se dominar pelo Uruguai, caindo por 3 a 0, um exagero, tratando-se de um torneio cujas vagas para a fase seguinte podem ser decididas no saldo de gols. Ao sair perdendo com aquele gol sensacional do excelente Forlan, você foi à luta em busca do empate, como tinha de ser, mas não podia se descuidar tanto da defesa.
Seus jogadores, inexperientes em jogos dessa magnitude, e sua torcida fanática talvez não se lembrassem disso, mas seu técnico, Carlos Alberto Parreira, experiente de muitos carnavais, devia.
O sonho de virar o jogo e passar à história, goleando a França, mesmo desarrumada, em crise, e ainda esperar que o Uruguai ajudasse, ganhando do México, era válido, devia ser tentado, mas, cá entre nós, muito difícil. Quase impossível.
O desejo contido no sonho não foi realizado. Mais por culpa de seu noviciado do que da vontade da França de deixar a África do Sul com pelo menos uma vitória, ou de estragar sua festa nessa terça-feira.
As vuvuzelas farão menos barulho, é natural. As cadeiras nos estádios estarão menos coloridas e ocupadas, o que é uma pena. Fica a torcida para que o futebol daqui não perca o que ganhou com esta Copa, por menos que seja. Que os belos estádios não percam sua finalidade e logo possam receber grandes jogos com garotos de Soweto e dos ricos condomínios, tão diferenciados, revelando habilidade, nesse jogo mais bonito e difundido no mundo.
Os que acham, como eu, que países que, antes de bancar um Mundial ou uma Olimpíada, devem cuidar de melhorar suas escolas, aumentar o número de bons hospitais, abrir avenidas e cuidar da saúde de sua gente, meus parabéns.
Mas percebam um detalhe.
O que está feito, de bom ou de ruim, aqui e no Brasil, próxima parada do circo da bola, está feito e não há como voltar atrás.
Resta apenas às autoridades daqui e de lá – Tribunais de Conta, Polícia, Ministério Público, Justiça e, naturalmente o povo, na boca das urnas, tomar atitudes e punir eventuais culpados.
Não dá para zerar, apenas par condenar, sendo o caso.
Enquanto isso, que pena Bafanas, Bafanas. Parabéns México e Uruguai, que se classificaram no Grupo A. E Argentina e Coreia do Sul, que passaram às oitavas, no Grupo B.

