Copa 2010

jul
01

Pela direita pode ser o caminho

Publicado às 17:26 12 comentários
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Reinaldo Marques/Terra

Daniel Alves dá carrinho e rouba bola de chileno. Crédito: Reinaldo Marques/Terra

José Maria de Aquino
Direto da Cidade do Cabo

Os cabelos arrepiados de Dunga, que já os usou até os ombros, nos velhos tempos, nada têm a ver com a Holanda, adversária da Seleção Brasileira, que ele dirige, nessa sexta-feira, em Port Elizabeth.

Mas podem notar que já começam a aparecer os fios brancos, preço pago por todos os técnicos que comandam o Brasil em competições importantes, como é uma Copa do Mundo.

A cobrança é feita não apenas pela imensa torcida quando o time joga, mas também pelos adversários, que vão se tornando cada vez mais fortes, com a passagem das fases.

Para o jogo contra a Holanda tem mais um componente a queimar os neurônios do Dunga: a ausência de Elano, jogador pouco badalado pela torcida e parte da imprensa, mas que tem participação fundamental na ocupação dos espaços pelos jogadores de meio de campo e na cooperação que dá a Kaká na alimentação do ataque, representado por Luís Fabiano.

Sem Ramirez, para mim o substituto ideal para Elano, por sua movimentação, velocidade e colaboração com os volantes, ausente por ter recebido dois amarelos, ainda bem que Dunga ouviu do médico José Luiz Runco, a notícia que  precisava ouvir: Felipe Melo recuperou-se da contusão sofrida contra Portugal e está à disposição.

Dessa forma, Daniel Alves, que nem de longe alcança, na posição, a eficiência de Elano, será mais uma vez seu substituto, podendo, desta vez, quem sabe, acertar o gol de Stekelenburg, um goleiro que não inspira confiança aos holandeses, com os chutes que insiste atirar de fora da área.

Sua presença poderá ser ainda mais valiosa se trabalhar com Maicon, um ala eficiente nas descidas ao ataque, sempre rente à lateral, uma das boas maneiras de abrir as defesas adversárias, mesmo quando não se armam de forma rigorosamente fechadas – como, espera-se, agirá a Holanda. O lateral pela esquerda, Van Bronckhorst é o ponto fraco do time de Bert Van Marwiijk.

Robinho e Kaká deverão se reversar nas descidas pela esquerda, tentando abrir um pouco mais a defesa laranja, facilitando as invasões da área por Luiz Fabiano.

Como, é claro, o Brasil não poderá – nem Dunga faria isso – pensar apenas em atacar, será bom que Lúcio não insista tanto em ir de forma afoita para frente, cuidando mais de vigiar os passos do perigoso Kuyt, o que joga mais avançado. E que Gilberto Silva ou Felipe Melo, acompanhe as deslocações do carequinha Robben.

Como os dois times precisam da vitória – ainda que seja na cobrança de pênaltis -, para chegar às semifinais, terão de jogar mais abertos, “não se cuidando muito”, como espera Dunga. E eu também.

Mas como não acredito em Duende, duvido que a Holanda se jogue ao ataque, assim como o Brasil. Irão sim, mas com a posse da bola, nunca a rifando. As duas seleções têm características bem parecidas, e não abrirão mão do que Marvijk classifica de “futebol concreto”, para explicar porque a Holanda – por falta de grandes craques como os de antigamente, Rep, Rosenbrink, Nesskes, Cruyff – já não tenta ser nova Laranja Mecânica.

Dunga, por precaução, treinou cobrança de pênaltis, mas espero – até acredito um pouco – que não serão precisos. Não é jogo para goleada, mas é para sair gols.