José Maria de Aquino
A CBF espera que Dunga confirme sua saída para, de acordo com Rodrigo Paiva, diretor de imprensa, buscar, com urgência, outro técnico para começar a trabalhar já no amistoso de agosto, contra os Estados Unidos, naquele país.
Dunga disse na entrevista após a derrota para a Holanda, 2 a 1, sexta-feira, que seu ciclo no comando da Seleção acabou. Será preciso, nesse caso, aguardar por comunicação escrita?
Sim ou não, nem acho que seja preciso tanta pressa para encontrar um substituto para Dunga. Talvez fosse melhor analisar as razões da derrota aqui na África, lembrar que, como sede do Mundial de 2014, o Brasil não precisará disputar as Eliminatórias, o que não é nada bom, para, então, buscar o técnico. Ou melhor, a Comissão Técnica.
Saber por que o Brasil fracassou – o dito melhor futebol do mundo sempre fracassa se não chega à final de qualquer competição, ou aceita não ser o bonzão -, não é muito difícil. E não tem nada a ver com a prisão dos jogadores decretada por Dunga, assim como não teve a liberdade excessiva dada por Parreira em 2006.
Tivesse o Brasil vencido a Copa, na Alemanha ou aqui, e ninguém falaria de excessos. Assim como não falaram em 1994, para não ir mais longe, quando Romário – e ele se gaba da façanha – teve encontros amorosos na concentração, nos Estados Unidos.
De forma bem simples, a Seleção não passou das oitavas porque não tinha time bom o bastante para vencer a Holanda. Perdeu no primeiro tempo chances que poderiam decidir o jogo, e no segundo porque perdeu a cabeça, quando se viu atrás no marcador. Um time sem cabeça não ganha jogo.
Esse time não se mostrou competente para confirmar seu favoritismo e se a grande parte dos jogadores não tem idade para disputar a Copa de 2014, é preciso que a CBF se preocupe em descobrir os valores da nova geração, cultivando-os em uma nova Seleção.
Do grupo atual, Júlio César estará com 34 anos e, mantendo a forma atual, em condições de continuar. Maicon, com 32, dependerá de como se comportar até lá. Um time pode ter alguns jogadores acima dos 32, mas não muitos. Lúcio, 36, Juan, 34, Gilberto Silva, 36, e Luiz Fabiano, 33 devem ter dado seu adeus aqui na África.
Michel Bastos, 30, Elano, 32, Kaká, 31 Robinho 29, desses, independentemente da idade, o novo técnico terá de olhar como se comportarão, em campo nesses próximos anos. O mesmo acontecendo com os reservas, que agora estiverem além dos 25.
Será preciso renovar e o novo técnico terá de ser alguém disposto a garimpar, acompanhar os novos que pintaram este ano - Neymar, Paulo Henrique Ganso, Hernanes… E, principalmente, os que surgiram e surgirão nas seleções sub-21.
Falam muito de Luiz Felipe Scolari, mas, será ele o técnico ideal para essa tarefa? Mano Menezes e Muricy Ramalho são outros que surgem na pauta. Terão eles esse perfil que considero o ideal?
Como disse, ter vaga garantida na Copa de 2014, por ser o país sede, não é nada bom para o Brasil. A seleção não será testada nos 18 jogos obrigatórios às seleções da Conmebol, úteis, por piores que sejam alguns dos adversários, para se formar um time, um grupo e se passar aos jogadores as ideias do técnico.
A CBF poderá marcar muitos amistosos, mas eles não servem tão bem quanto são os jogos oficiais. Nem será a Copa América, que algumas seleções dão pouca importância, já que não valem vaga na Copa. Nem será a Copa das Confederações, a ser disputada no Brasil, um ano antes do Mundial, quando o time já terá de estar definido.
Não adianta ter pressa em arranjar um novo técnico só para dar satisfação aos torcedores, passar a ideia de que a CBF está agindo rapidamente. É preciso que ele preencha os requisitos acima, trabalhe o tempo todo só para a Seleção e mantenha contato permanente com os técnicos dos clubes, para saber quem anda pintando bem e como se comporta.

