Copa 2010

jul
05

Estrelas que não brilharam

Publicado às 15:50 9 comentários
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AFP

Rooney e Lampard decepcionaram na Copa do Mundo. Crédito: AFP

José Maria de Aquino

Até agora, disputadas 19 Copas do Mundo, incluindo esta da África, só uma coisa é certa: muitas seleções são as chamadas e poucas as escolhidas. Já foram 13 (1930 e 1950), por negativa de convidados, 16 (de 1934 a 1978), 24 (de 1982 a 1994) e 32 a partir de 1998, na França.

E apenas sete seleções conquistaram a Copa: Uruguai (2), Itália (4), Alemanha (3) França (1), Argentina (2), Inglaterra (1) e Brasil (5). Pelo progresso que vêm revelando, fornecendo cada vez craques para o rico e exigente futebol europeu, logo, em mais três ou quatro mundiais, uma seleção africana, acredito, levará o caneco.

Precisará apenas revelar número maior de grandes jogadores, organizar-se, acreditar na sua força, sentir amor à camisa e saber o que a conquista representará, em todos os sentidos - político, social, financeiro, respeito -, para seu povo.

Mas, se as seleções carismáticas, de futebol mais organizado, o que lhe dá tradição, ganham por essas e outras razões os mundiais - Holanda, duas vezes vice, Espanha, pela força de seus campeonatos milionários, estão perto de entrar nesse pequeno grupo -, nem sempre as que chegam badaladas e apontadas como sérias candidatas ao título confirmam a previsão.

Algumas, como Itália e França, exageraram na incompetência e deram neste Mundial vexame total, caindo fora ainda na primeira fase. Argentina e Brasil, que não passaram das quartas e, principalmente, a Inglaterra, que deu adeus nas oitavas, após apresentação pífia, não ficaram atrás.

Provando que futebol é coletividade, que uma estrela pode desequilibrar num jogo ou noutro, levando o time nas costas, mas que não consegue repetir a façanha muitas vezes, a derrocada dessas seleções jogaram na vala comum também algumas estrelas nas quais se apostava tudo.

Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Thierry Henry, Ribéry, Rooney, Lampard, Gerrard, Michael Essien, Pirlo, Didier Drogba, craques que já foram apontados melhores do mundo ou frequentaram a lista dos candidatos à honraria, por uma razão ou outra, já se foram, sem deixar saudade nos torcedores de seus países e nos que, elegante e de forma inteligente, aplaudem os grandes craques pelo que fazem no gramado e não pela camisa que vestem.

Messi e Rooney, apontados não apenas por jornalistas e torcedores, mas por antigos gênios da bola, como Platini, Pelé e Beckenbauer, candidatos reais a melhores do mundial, podem ser apontados como os maiores fracassos.

É verdade que, por chegarem aqui com a responsabilidade de decidir, marcando gols e/ou arrumando seu time, sofreram marcação mais severa dos adversários. E até que não tiveram apoio de nível de seus companheiros. Mas nada disso os tira da relação dos craques que decepcionaram.

Kaká, a estrela que o Brasil trouxe, também deve estar nessa relação dos que não brilharam, embora tenha a desculpa de estar longe de sua melhor forma e de ter participação direta em dois gols de Luís Fabiano e um de Elano.

Pirlo não foi bem aproveitado pelo técnico italiano. Assim como Thierry Henry não foi pelo francês. Didier Drogba contundiu-se antes da Copa. Michael Essien não teve apoio do resto do time. Lampard e Gerrard foram engolidos pela mediocridade do time inglês.

Mas, o maior fiasco foi dado pelo português Cristiano Ronaldo, ao lado de Messi a estrela do momento. A Seleção de Portugal tinha poucas chances de chegar à final - quando se aponta o melhor jogador da Copa, é quase impossível escolherem um cuja seleção tenha saído antes -, mas em nenhuma das quatro partidas que disputou Cristiano Ronaldo justificou o cartaz que tem.

Se aquelas grandes estrelas apontadas como candidatas ao título de melhor dessa Copa fracassaram, outras, que chegaram aqui sem tanta expectativa e fama, estão brilhando e correm em busca do troféu.

Van Persie, Robben e Sneijder (4 gols), da Holanda; Villa (5), da Espanha, Muller (4), Klose (4), da Alemanha e Diego Forlan, do Uruguai.

Todas estarão em campo nas partidas que restam para sabermos qual seleção será a campeã - os suspensos para as semifinais estarão na final. E a vitória de seus times nos jogos de amanha, Holanda x Uruguai, e de quarta-feira, Alemanha x Espanha, será muito importante para eles.