Copa 2010

jul
06

Rei morto, volta o antigo rei

Publicado às 06:07 45 comentários
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Ricardo Teixeira deu entrevista exclusiva em programa de Galvão Bueno na SporTV. Crédtio:AFP

José Maria de Aquino
Direto de Johannesburgo

Outro dia contei aqui que um amigo meu, que trabalha para uma poderosa emissora de televisão, me disse que um dos grandes erros do Dunga, talvez o maior, era não ter ficado do lado bom da imprensa. Representada, naturalmente, pela empresa para a qual ele trabalha.

Nada demais, porque é mesmo uma emissora séria, com grandes profissionais e que, com todo direito, procura fazer o melhor e com exclusividade.

Exclusividade que, todos sabem, Dunga não permitiu. Foi além, na coletiva que deu aos jornalistas, onde disse em alto e bom som que com ele não tinha essa de convidar cinco para jantar e ficar sabendo das novidades.

Dunga não cedeu e a emissora, como faz parte de seus princípios, aceitou as regras do jogo impostas por Dunga. Tentou, segundo disseram por aqui, mudar o rumo das coisas e conseguir as boas entrevistas, exclusivas, com o apoio do presidente Ricardo Teixeira, mas Dunga teria dito não.
O fim da Copa chegou mais cedo para a Seleção Brasileira. Com o retorno da delegação ao Brasil, logo Ricardo Teixeira foi entrevistado, com a exclusividade que todos desejavam, por Galvão Bueno, no programa “Bem, Amigos”, que comanda na SporTV.

Era a volta do bom relacionamento com a banda boa da imprensa, que Dunga não aceitou ter e que Ricardo Teixeira teria tentado contornar, sem sucesso. Aí, abrindo as portas da concentração para todas as bandas ou só para a boa.

A pronta presença do presidente da CBF num programa da emissora, falando com exclusividade – embora coisas que já coloquei nesse espaço e que qualquer observador já sabia – mostra, para mim, uma condenação da parte do presidente à decisão de Dunga de não falar e não permitir que jogadores falassem com exclusividade para quaisquer das bandas – a boa ou a ruim, no entendimento do meu amigo.

Ricardo Teixeira agiu bem ao estilo do “rei morto, viva o novo rei” , aqui representado por seus bons e velhos amigos.

O que falou? Sem falsa modéstia, quase tudo que já coloquei aqui. Disse que houve descontrole emocional do time no segundo tempo contra a Holanda, o que quer dizer que futebol se ganha com a cabeça e não apenas com os pés, como analisei.

O presidente da CBF disse que é preciso fazer uma renovação total, aproveitando jogadores de 18 a 20 anos, bem como já havia dito. Mas não afirmou que o novo técnico terá de ser exclusivo, para poder garimpar e preparar esses novos jogadores, com vistas à Copa de 2014.

Não disse, mas terá de ser assim, porque a CBF planeja cinco amistosos para ainda este ano, o que vale dizer pelo menos mais cinco para 2011, além do pré-olímpico, que, segundo afirmou, terá de contar a presença do novo técnico, assim como a Olimpíada de 2012, em Londres.

A Olimpíada, que sempre foi desprezada pela CBF e pela Fifa, desta vez será acariciada e aproveitada para a formação de um novo time.

Que técnico conseguirá trabalhar também num clube, tendo todos esses compromissos, mais os muitos amistosos - que Ricardo Teixeira pretende que sejam contra seleções fortes da Europa (os garotos precisam aprender) e não contra galinhas mortas, para fazer o nome do técnico, de jogadores medíocres e encher ainda mais os cofres da CBF? E que time irá querer um técnico nessas condições?
Bem, amigos. Por fim, Ricardo Teixeira declarou que perder a Copa aqui na África do Sul até dá para aceitar – viu, pachecão? -, mas que não poderá acontecer em 2014.

Nada de novo, mais uma vez, certo? Nem a pronta entrevista com exclusividade.